O que eu mandei quando uma marca me chamou para uma collab
O bastidor real de como eu respondi uma marca, pedi ajuda para a IA, travei quando apareceu o valor de R$ 10.500 e precisei me lembrar de não transformar medo em diminuição.
Tenha medo, mas não deixe o medo escrever o e-mail por você.
Antes de tudo
Não é uma aula. Sou eu contando o que eu fiz.
Eu não estou escrevendo isso como especialista em marketing de influência. Estou escrevendo como quem recebeu uma proposta, ficou feliz, ficou com medo, abriu a conversa com a IA e foi fazendo uma coisa de cada vez: primeiro entendi o e-mail, depois pedi mais detalhes, depois olhei meus números, depois respondi.
O ponto não era só quanto cobrar. Era por que eu duvidava tanto quando aparecia um valor maior.
Porque junto com a oportunidade veio aquela voz: será que eu estou pronta? Será que vão achar caro? Será que eu estou me achando demais? Pode ser crença limitante, insegurança, falta de prática ou medo mesmo. Mas eu fui entendendo que preparo real não é ausência de medo. Às vezes é medo junto com movimento.
O que chegou para mim
A marca queria uma collab, mas eu ainda precisava entender o tamanho do pedido.
O contato veio de uma marca, um app ligado a agenda, produtividade e inteligência artificial. O resumo era: eles queriam conversar sobre uma colaboração e, depois, o escopo foi ficando mais claro, com conteúdo para Instagram, TikTok e Stories.
Resumo do e-mail da empresa
Eles chegaram interessados em trabalhar comigo.
A mensagem não vinha com todos os detalhes fechados. Era um contato de proposta, dizendo que viam conexão entre a marca e o meu conteúdo e queriam entender uma possível colaboração. Só que, antes de responder com preço, eu precisava saber exatamente o que estava incluído.
Foi aí que eu pensei: calma, Sara. Primeiro entende o briefing. Depois você fala de valor.
A virada do valor
Quando apareceu R$ 10.500, eu achei absurdo.
Eu pedi para a IA olhar meus dados, o alcance, os Reels, os Stories, a marca e o pacote. A sugestão confortável veio em R$ 10.500, com R$ 12.000 como valor ideal para o pacote completo. Minha primeira reação foi querer baixar, como se eu precisasse tornar aquilo mais aceitável.
Eu brinquei que até a IA sabia o quanto eu valia, e eu não sabia.
Mas foi uma brincadeira séria. Porque, naquele momento, eu entendi que não era só uma negociação com uma empresa. Era também uma negociação com a parte de mim que queria se diminuir para não correr o risco de ser rejeitada.
O começo
Antes de falar em valor, eu precisava entender o pedido.
Uma collab pode parecer simples no direct, mas o escopo muda tudo. Por isso, eu não quis responder com preço no impulso. Foi literalmente: aí eu respondi pedindo briefing; aí eu colei as informações na IA; aí fui entendendo o que fazia sentido.
01
Formato da entrega
Um Reel não é a mesma coisa que Reel, Stories, TikTok e aprovação de roteiro.
02
Prazo
Prazo curto muda disponibilidade, organização e esforço.
03
Briefing
Quanto mais específico o briefing, mais trabalho de criação e aprovação pode existir.
04
Mídia paga
Impulsionamento, anúncios e reutilização do conteúdo precisam ser combinados à parte.
05
Objetivo
Awareness, venda, download e teste de produto pedem leituras diferentes.
Modelos
Os e-mails que eu usei como base
Eu deixei adaptável porque cada pessoa tem seus números, mas a lógica foi essa: responder com educação, pedir clareza, apresentar valor sem pedir desculpa e fazer follow-up sem se diminuir.
E-mail 1
Resposta inicial pedindo briefing
Quando a marca entra em contato, mas ainda não explicou exatamente o que quer.
Assunto: Re: Proposta de colaboração
Olá, [nome], tudo bem?
Muito obrigada pelo contato e pelo interesse em uma possível colaboração. Fico feliz em saber que vocês enxergaram uma conexão entre a marca e o meu conteúdo.
Antes de passar uma proposta comercial, você poderia me enviar um pouco mais de detalhes sobre o briefing? Gostaria de entender melhor o formato desejado, quantidade de entregas, prazos, principais mensagens da campanha e se haveria necessidade de uso do conteúdo em mídia paga.
Com essas informações, consigo avaliar com mais cuidado e enviar uma proposta alinhada ao que vocês precisam.
Fico no aguardo.
Abraços,
[seu nome]
E-mail 2
Proposta comercial com valor
Quando você já entendeu o escopo e vai enviar sua proposta com dados e valor.
Assunto: Proposta de colaboração — [nome da marca]
Olá, [nome], tudo bem?
Obrigada por compartilhar mais detalhes sobre a proposta. Fiquei feliz com o convite e acredito que existe uma conexão interessante entre a [nome da marca] e a minha audiência.
Hoje, meu conteúdo tem tido um alcance relevante, especialmente em Reels. Nos últimos 30 dias, meu perfil alcançou [número de contas alcançadas] contas e teve [número de visualizações] visualizações, com uma parcela importante vindo de pessoas que ainda não me seguem.
Para o formato sugerido, considerando [descrever entregas: exemplo, 1 Reel no Instagram, repost no TikTok e 3 Stories], o investimento para a colaboração seria de R$ [valor].
Esse valor contempla criação, produção e publicação do conteúdo nos canais combinados. Direitos de uso em mídia paga, impulsionamento, anúncios ou reutilização do conteúdo pela marca não estão incluídos neste valor e podem ser negociados separadamente, caso haja interesse.
Fico à disposição para conversarmos sobre briefing, cronograma e próximos passos.
Abraços,
[seu nome]
E-mail 3
Follow-up com abertura para negociar
Quando a marca ainda não respondeu e você quer retomar sem oferecer desconto.
Assunto: Re: Proposta de colaboração — [nome da marca]
Olá, [nome], tudo bem?
Espero que esteja tudo bem por aí.
Só passando para acompanhar nossa conversa sobre a proposta de colaboração com a [nome da marca] e entender se vocês conseguiram avaliar o orçamento enviado.
Acredito que a campanha pode funcionar muito bem com a minha audiência e sigo à disposição para conversarmos sobre o briefing, cronograma e próximos passos.
Caso o orçamento de vocês seja diferente do que enviei, fico aberta a conversarmos sobre o melhor formato de entrega para que a parceria faça sentido para os dois lados.
Abraços,
[seu nome]
IA com contexto
Os prompts que eu fui colocando, do meu jeito
Eu não sentei para fazer uma estratégia perfeita. Eu fui conversando. Aí eu colocava o que a marca tinha pedido, depois colocava meus números, depois pedia para organizar o e-mail. O segredo foi dar contexto, porque sem contexto a IA vira só texto bonito.
01
Responder a marca sem passar preço aindaPara agradecer, demonstrar interesse e pedir briefing antes de falar em valor.
Recebi uma mensagem de uma marca interessada em uma collab comigo, mas ainda não tenho todos os detalhes do que eles querem. Eu quero responder de um jeito profissional, educado e natural, sem parecer fria e sem parecer desesperada. Quero agradecer o convite, mostrar interesse e pedir mais informações antes de passar qualquer valor. Inclua perguntas sobre briefing, formato da entrega, quantidade de posts ou Stories, prazo, principais mensagens da campanha e se eles pretendem usar meu conteúdo em mídia paga, anúncios ou impulsionamento. Escreva em português do Brasil, com um tom seguro, simples e humano.
02
Analisar seus dados do InstagramPara entender valor comercial olhando alcance, consistência e contexto, não só seguidores.
Quero que você analise meus dados do Instagram como se eu estivesse avaliando uma proposta de collab. Não quero uma análise genérica. Quero que você me ajude a entender o valor comercial do meu perfil com base em dados reais. Vou te passar seguidores, alcance dos últimos 30 dias, visualizações, porcentagem de pessoas que não me seguem, desempenho de Reels e qualquer outro dado que eu tiver. Me diga quais números são mais fortes, quais eu posso mencionar em uma proposta, quais não precisam entrar e como explicar isso de forma profissional para uma marca. Também quero que você me ajude a não olhar só para seguidores, porque eu sei que alcance, consistência e engajamento também importam.
03
Analisar Reels recentesPara separar potencial de alcance de resultado médio e tomar uma decisão mais consciente.
Vou te passar os dados de alguns Reels recentes, incluindo visualizações, alcance, curtidas, comentários, compartilhamentos, salvamentos e interações totais. Quero que você organize esses dados em uma tabela, calcule média, mediana, menor resultado, melhor resultado e destaque o que esses números dizem sobre a consistência do meu conteúdo. Explique também a diferença entre usar a média e usar a mediana, porque eu não quero basear minha proposta só em um vídeo que performou muito bem, mas também não quero ignorar meu potencial de alcance quando um conteúdo encaixa.
04
Analisar StoriesPara não tratar Stories como brinde quando eles também carregam proximidade e confiança.
Vou te passar os números de visualizações dos meus Stories recentes. Quero que você calcule média, mediana, mínimo, máximo, top 10 e me diga como interpretar esses dados dentro de uma proposta comercial. Me ajude a entender o valor dos Stories sem tratar como brinde, porque Stories podem ter menos alcance que Reels, mas têm proximidade, repetição e confiança. Depois, me ajude a escrever uma frase simples para explicar por que Stories fazem parte do pacote.
05
Analisar a marca antes de responderPara entender se é uma permuta pequena, uma campanha estruturada ou algo maior.
Analise esta marca antes de eu precificar uma collab: [cole aqui o site, Instagram, app ou informações que você tiver]. Quero que você avalie se parece uma empresa real, qual é o tamanho aparente, se tem produto pago, se tem presença internacional, se tem sinais de credibilidade e qual pode ser o objetivo da campanha. Depois, me diga como essa análise deve influenciar minha postura e minha proposta comercial. Eu não quero cobrar como se fosse uma permuta pequena se a marca tiver estrutura, produto ativo e interesse em aquisição de clientes.
06
Pensar no valor da propostaFoi aqui que veio a parte que mais mexeu comigo: a IA sugeriu R$ 10.500 e eu achei alto demais.
Com base nos meus dados, na análise da marca e no escopo da campanha, me ajude a pensar em uma proposta comercial profissional. O pacote pedido é: [descreva aqui as entregas]. Me ajude a sugerir um valor coerente, considerando criação, estratégia, produção, publicação, audiência, alcance recente e esforço envolvido. Quero que você me dê um valor ideal, um valor confortável e um mínimo interno de negociação, mas sem colocar esse mínimo no e-mail. Também quero que você deixe claro que direitos de uso em mídia paga, anúncios, impulsionamento e reutilização do conteúdo pela marca não estão incluídos no valor base. No meu caso, quando a sugestão veio em R$ 10.500, minha primeira reação foi querer baixar. E foi aí que eu precisei me observar: será que o valor estava mesmo absurdo ou eu é que não estava acostumada a me colocar nessa posição?
07
Escrever o e-mail comercialPara transformar análise em uma proposta clara, humana e segura.
Agora escreva um e-mail comercial em português do Brasil para eu enviar para a marca. Quero um tom profissional, claro, educado e natural. Não quero parecer arrogante, mas também não quero parecer insegura. O e-mail precisa agradecer o convite, reforçar que vejo conexão entre a marca e minha audiência, mencionar de forma breve os dados mais fortes do meu perfil, apresentar o pacote de entregas e informar o valor. Inclua uma frase dizendo que direitos de uso em mídia paga, anúncios, impulsionamento ou reutilização do conteúdo não estão incluídos e podem ser negociados separadamente. Escreva de forma simples, sem termos exagerados e sem parecer texto pronto de IA.
08
Fazer follow-up sem baixar o preçoPara retomar a conversa sem transformar silêncio em desconto automático.
Escreva um e-mail curto de follow-up para uma marca que ainda não respondeu minha proposta de collab. Quero parecer tranquila, educada e profissional. Não quero cobrar resposta de forma pesada e não quero oferecer desconto. Quero apenas retomar a conversa, perguntar se conseguiram avaliar o orçamento e dizer que, caso o orçamento deles seja diferente, fico aberta a conversar sobre o melhor formato de entrega para que a parceria faça sentido para os dois lados. O tom precisa ser natural, seguro e leve.
Um ponto que muda a negociação
Publicar no seu perfil e virar anúncio são coisas diferentes.
Se a marca quer impulsionar, rodar tráfego pago, usar seu vídeo como criativo de anúncio ou reutilizar sua imagem fora do combinado, isso precisa ser conversado separadamente. Não é grosseria. É profissional.
“Direitos de uso em mídia paga, impulsionamento, anúncios ou reutilização do conteúdo pela marca não estão incluídos neste valor e podem ser negociados separadamente, caso haja interesse.”
Negociação
A frase que me segurou foi: não baixa tanto.
Quando eu quis diminuir o valor, a virada foi entender que negociação não precisava começar com desconto. Se o orçamento da marca fosse outro, eu poderia ajustar entrega, formato e escopo. O que eu não precisava era me apagar antes da conversa começar.
Em vez de falar
Posso fazer por menos.
Você pode falar
Podemos conversar sobre um formato que faça sentido para o orçamento de vocês.
Em vez de falar
Se estiver caro, eu abaixo.
Você pode falar
Caso o orçamento seja diferente, podemos ajustar o escopo da entrega.
Em vez de falar
Aceito negociar o valor.
Você pode falar
Fico aberta a alinhar o melhor formato para os dois lados.
Em vez de falar
É minha primeira collab, então faço mais barato.
Você pode falar
Preparei a proposta considerando o escopo, meus dados atuais e o uso do conteúdo.
O aprendizado mais interno
Antes de negociar com a marca, eu precisei negociar com a minha própria mente.
Nem todo silêncio quer dizer que você errou. Às vezes a empresa não tem budget. Às vezes não era o match. Às vezes o timing mudou. Isso não apaga o valor do seu trabalho.
O mais forte, para mim, foi perceber que eu quase negociei contra mim antes mesmo de a marca responder. Eu tinha dados, alcance, entrega, contexto e ainda assim a minha primeira reação foi duvidar. Então esse material também é sobre isso: sobre olhar para o medo sem deixar que ele tome a decisão.
Tenho medo, mas faço mesmo assim. Só não deixo o medo escrever o e-mail por mim.
A ferramenta que entrou nessa história
Se você quiser testar a IA que me ajudou a organizar esse processo
Muita coisa nesse guia nasceu de uma conversa minha com a IA: eu colocava o que a marca tinha pedido, meus dados, minhas dúvidas e até o meu medo de cobrar. Não foi para ela decidir por mim, mas para me ajudar a enxergar com mais clareza o que eu mesma às vezes diminuía.
Eu tenho amado usar para criação, para organizar ideias e, agora, com a conexão com Instagram, fica ainda mais interessante para quem vive criando conteúdo e precisa transformar informação solta em algo com direção.
Se você quiser baixar ou testar também, deixei meu link aqui. Vai com calma, explora do seu jeito e usa como apoio, não como muleta.
Use como uma pausa antes de mandar qualquer valor no impulso.
Me conta depois
Se esse guia te ajudou, deixa um comentário no post para eu saber.
Eu quis deixar esse material de graça porque eu sei como uma collab pode mexer com a gente por dentro. Se alguma frase te deu clareza, se você copiou um e-mail ou se pensou “eu também faço isso comigo”, faz essa pra mim: comenta no post do Instagram. Um comentário seu ali me ajuda a entender o que realmente serviu para você e também me mostra se vale criar mais materiais assim.
Pode ser uma frase simples mesmo, lá no post. O que mudou na forma como você vai responder uma marca depois de ler isso?